Nunca entrei em um cortiço. Mas sempre que meu olhar alcança a fachada de um deles, eu me pergunto como se vive por ali. Se há vidas tão desgastadas quanto a pintura das paredes e se o cotidiano costuma ser tão improvisado quanto os varais de roupa. O fotógrafo Fabio Knoll descortinou um pouco desse universo na exposição “Cortiços – a experiência de São Paulo”, que começa hoje na estação Júlio Prestes.
O ensaio é fruto das visitas que Knoll fez a unidades da região central. Ele acompanhou fiscais da Secretaria Municipal de Habitação, que desde 2005 vistoriam “domicílios encortiçados” para garantir padrões mínimos de habitabilidade (salubridade, segurança, etc). Nos últimos cinco anos, foram identificados 1091 cortiços - destes, 66 interditados por oferecer riscos aos moradores.
Conversei com ele sobre o projeto. Abaixo, trechos de seu depoimento e algumas das 36 fotos da mostra, com curadoria de Maureen Basilliat.









